terça-feira, 4 de outubro de 2016

Porquê dar conhecimento das nossas opiniões? Amanhã, podemos ter outras.(Paul Léautaud)

O DN revisita o tema dos TPC, que ressurge em cada início de ano lectivo. Há quem os rejeite liminarmente, evocando as doses massivas de tarefas maçudas e repetitivas, destinadas a “consolidar” matéria, e defenda que o escasso tempo de convívio familiar ao final do dia possa ser vivido sem a pressão dos trabalhos para fazer, a saturação dos miúdos e os gritos dos pais que não raras vezes acabam por fazer o trabalho dos filhos ou dar-lhes as respostas para despachar aquele calvário.
Também há quem defenda, captando bem o espírito dos tempos, trabalhos de casa “personalizados”, indo ao encontro das dificuldades e necessidades específicas de cada aluno. Algo que poderá fazer sentido no 1º ciclo, parece-me, mas que noutros níveis de ensino será dificilmente praticável de forma sistemática, tendo em conta o elevado número de alunos que tem cada professor e o tempo limitado que passa com cada turma.
O que será relativamente consensual é que um sistema de ensino demasiado dependente dos trabalhos de casa mais facilmente reproduz as desigualdades sociais do que aquele em que o TPC se torna acessório ou até dispensável: na escola são todos iguais, enquanto em casa entram em jogo o ambiente familiar e o apoio que as famílias possam proporcionar à criança.
Para os não fundamentalistas de um lado ou de outro, os que acreditam que uma pequena dose diária de tarefas de âmbito escolar para fazer depois das aulas pode ser benéfica para a aprendizagem, há algumas boas ideias deixadas por alguns dos especialistas ouvidos para a peça jornalística:
·         Os TPC devem ser curtos, acessíveis e motivadores, evitando o mais do mesmo que já foi feito na aula;
·         Trabalhos que envolvam a família do aluno, sobretudo se forem marcados para o fim de semana, podem ser experiências enriquecedoras, tanto do ponto de vista pedagógico como familiar;
·         O TPC não deve ser orientado para colmatar lacunas das aulas, mas antes para ajudar alunos e professores a perceber se as matérias foram bem apreendidas;
·         O papel dos pais não é explicar as matérias, por isso o TPC deve ser uma tarefa que o aluno consiga resolver sozinho.


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