sábado, 31 de outubro de 2015

Nós temos sorte! Todos os dias estamos com os nossos amigos especiais.

Até aos seis anos visi­tava com regu­la­ri­dade a minha avó, mãe do meu pai, que morava no Bairro Alto.
Lembro-me que a casa dava para um pequeno pátio no inte­rior do quar­tei­rão para onde se debru­ça­vam mil jane­las. O pátio, cir­cun­dado pela irre­gu­la­ri­dade da fachada do pré­dio vizi­nho, tinha no cen­tro uma fonte cir­cu­lar com pei­xes ama­re­los e encar­na­dos que abo­ca­nha­vam o oxi­gé­nio e o miolo de pão que lhes dava.
A casa, gigante para uma cri­a­tura pequena, tinha quar­tos, cor­re­do­res e peque­nas salas. No clo­set, que sepa­rava o cor­re­dor da sali­nha de cos­tura, exis­tia um armá­rio onde eu gos­tava de me escon­der bem no meio dos ves­ti­dos da minha avó. Lá brin­cava aos polí­cias e ladrões, aos cow­boys e aos índios antes de adormecer.
Den­tro do armá­rio, a pele da cara roçava os ves­ti­dos de Seda, Linho, Lã ou Astra­can e era uma sen­sa­ção boa visu­a­li­zar os luga­res que eles habi­ta­vam. O cheiro era sem­pre igual. O cheiro da minha avó.
Na fachada mais pró­xima do pátio, aquela que pare­cia que­rer engo­lir a fonte, estava quase sem­pre de pijama, um rapaz à janela.
Este rapaz, mais velho do que eu tal­vez cinco ou seis anos, não falava, e volta e meia pediam licença para que ele pudesse apa­nhar ar no pátio, sen­tado na cadeira de rodas.
Num tempo em que evi­ta­vam que as cri­an­ças se con­fron­tas­sem com a dife­rença, levavam-me para den­tro para que eu não con­vi­vesse com o menino espe­cial. Era, assim, a minha vez de ficar à janela, na sali­nha da tele­vi­são, a olhar para ele a fixar o céu, as nuvens e tudo o que pare­cia estar no alto. Quando um par­dal pou­sava na figueira do jar­dim da minha outra avó (sim, eram vizi­nhas) ele acom­pa­nhava o voo com o olhar e sorria.
Um dia, apanhou-me espe­cada a olhar para ele. Eu não sabia se havia de fugir ou de ace­nar e disse olá atra­vés do vidro. Abri a porta deva­gar e subi os três degraus que nos sepa­ra­vam. A cabeça dele inclinou-se deva­gar sobre o ombro direito e sor­riu. Ao sor­rir babou-se todo, e com os dois dedos da mão esquerda que mexiam esfre­gou a baba no pijama e eu vi-lhe um sor­riso maior ainda.
Nesse momento, a porta da fachada gulosa abriu-se, e uma som­bra cor­reu a rodar 180º a cadeira do rapaz. Ele esper­neou, mas os raios pre­sos aos aros dos velhos pneus roda­ram mais depressa ainda e lá o arre­ca­da­ram de novo.
Nunca mais o vi, mas em cada menino espe­cial o vejo a ele.
Texto retirado daqui.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

"Não admitas 'à priori' nada que possas verificar." (Rudyard Kipling)

A irritabilidade e a falta de apetite podem ser em alerta sobre um possível caso de celíase.
A sintomatologia da celíase é difícil de ser detectada nas crianças por vários motivos: primeiro, porque os sintomas não precisam ser permanentes, e podem aparecer uma que outra vez. Além disso, o espectro de alimentos com glúten é muito variado e, sendo assim, é normal que os pais se sintam perdidos tentando descobrir as causas de uma reação alérgica – uma quantidade imensa de produtos industrializados contém traços desta proteína, especialmente quando as crianças comem fora de casa. O terceiro motivo seria o caráter latente da doença, que tende a apresentar-se sem aviso prévio, inclusive depois de anos consumindo-se alimentos com glúten.


Os dez sintomas mais comuns são:



1. Dores abdominais ou cãibras. Um dos sintomas mais difíceis de esclarecer, quase sempre pela incapacidade das crianças pequenas de descrever exatamente a origem da dor.


2. Distensão abdominal, gases ou sensação de ter a barriga inchada.

3. Mudanças nas fezes de forma frequente, como diarreia, ou constipação.

4. Náuseas e vômitos depois de haver comido.

5. Falta de apetite.

6. Aumento do nível de cansaço ou fadiga (astenia), bem como falta de ânimo para sair para brincar, ou interagir com as outras crianças.

7. Perda de peso repentina. Algumas crianças apresentam dificuldade para ganhar peso de modo normal.

8. Crescimento abaixo do normal comparado com outras crianças da mesma idade, além de apresentar ossos frágeis, que tendem a quebrar-se. A puberdade também costuma chegar mais tarde.

9. Úlceras na boca recorrentes, e danos no esmalte dos dentes.

10. Surgimento de dermatite herpetiforme, uma doença cutânea que aparece exclusivamente nas pessoas celíacas, e que se traduz em eczemas nos joelhos, cotovelos, ou nádegas.

Com o tempo, as crianças celíacas podem desenvolver outros sintomas a nível emocional, como irritabilidade, ou falta de concentração.




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

E aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da Morte libertando... (Os Lusíadas)

Vidas singulares: George Bell (1942-2014).


O nome de George Bell nada nos dizia até há poucos dias. Até ao dia em que o New York Times fez uma extensa reportagem sobre ele. Porque morreu, não mais do que isso. Uma reportagem grande, cara de fazer, sobre a sua vida mas em especial sobre a sua morte. É estranho que alguém seja notícia só porque morreu. Obituários há muitos, mas de gente que teve uma vida digna de ser lembrada. Não merecerá a biografia de Bell sequer uma recordação? Pelos vistos, não. Trabalhou em  transportes e mudanças, reformou-se em 1996, um acidente laboral. Fora isso, pouco a registar. George só foi notícia por morrer em casa sozinho, num apartamento de Nova Iorque pejado de lixo. Morreu só, como milhares de nova-iorquinos (e não só). Cinquenta mil por ano, dizem as estatísticas. Na vida solitária de Gorge Bell houve um dia – de manhã ou de tarde – em ele que escreveu o seu nome na porta de casa, para que soubessem que morava ali. E houve dias em que gravou cassetes com músicas, e colocou uma fita a indicar o nome dos músicos que fizeram ou cantaram essas músicas, ainda que não saibamos se George Bell as ouviu, ou não. Dele pouco sabemos, mesmo numa reportagem extensa do New York Times. Sabemos  que morreu só, pouco mais. No funeral não apareceu ninguém. A cremação foi acompanhada pelos funcionários municipais que tratam destes assuntos lutuosos. Uma cremação demora, dizem, cerca de três horas. Onde apareceu muita gente, uma multidão de gente, foi no leilão do seu carro, um Toyota de 2005. É estranho pensar que apareceu mais gente para lhe comprar o carro do que no seu funeral.

George, ao que parece, era muito apegado aos seus pais, de ascendência escocesa. Uma fotografia mostra-o novinho, ao lado do pai, no Natal de 1956, com árvore enfeitada e TV de sala. O pai morreu cedo. À medida que foi envelhecendo, a mãe começou a sofrer de artrite. George tratou dela com carinho e desvelo, levando-lhe comida, dando-lhe banho até  morrer. Com George as coisas não se passaram assim. Não casou nem teve filhos. Chegou a estar noivo, mas rompeu o noivado por não aceitar as exigências contratuais da futura sogra. A noiva casou com outro homem, que morreu há anos, em 2002. No entanto, George e Eleanore, assim se chamava ela, continuaram a trocar cartas ao longo de muitos anos. No último cartão que lhe mandou, no Dia dos Namorados, Eleanore disse-lhe que pensava muitas vezes nele, ademais com amor. Eleanore também vivia sozinha, carregada de dívidas, e morreu em casa de ataque cardíaco. Foi cremada, George nem soube do óbito. Mas incluiu-a no seu testamento. É estúpido tentar saber se George Bell foi um homem feliz. E talvez seja indigno destapar a sua intimidade apenas porque morreu sozinho. Muito possivelmente, a sua vida foi demasiado solitária e triste. Mas quem sabe, quem pode dizê-lo ao certo? No meio de tudo isto, só há uma certeza. Ou melhor, duas. A primeira é que, um dia, todos partilharemos o destino de George, sozinhos ou em companhia. A outra certeza é esta: quem comprou o Toyota pensou ter feito um bom negócio. Senão, não o comprava, diz a lógica material da vida. Morreu George, ficou o Toyota. E um relógio de pulso, da marca Relic. Um desempregado arrematou-o por três dólares, triplicando a base de licitação. 
George M. Bell, Jr.,  1942-2014, assim diz a placa minúscula no depósito das suas cinzas.  E agora, contada a história, ninguém se atreva a dizer que esta vida foi triste ou  vivida em vão. Milhares de pessoas sabem hoje quem foi George Bell, o da fama póstuma, que teve direito a extensa reportagem do New York Times. Apenas por ter morrido, é certo. Mas morrer é pouco? Olhem, fiquem com esta: do pouco que dele sei, George Bell foi um homem melhor do que muitos que por aí conheço.

António Araújo



terça-feira, 27 de outubro de 2015

E Hanushek apresentou vários gráficos

Eric Hanushek, especialista em Economia da Educação, convidado pela Gulbenkian, apresenta cálculos sobre o impacto que teria afastar os professores “menos eficazes”.

Ordene-se todos os professores portugueses, do “mais eficaz” para o “menos eficaz”. “Depois pensem em substituir os menos eficazes por professores médios.” Não precisam de ser excepcionais, para o impacto ser grande. O desafio é do norte-americano Eric Hanushek, especialista em Economia da Educação, que esteve nesta segunda-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
As contas estão feitas para países como os Estados Unidos ou a Inglaterra. E Hanushek apresentou vários gráficos: substituir apenas 4% dos professores “menos eficazes” — os “menos eficazes” de todos — significaria um ganho, em termos dos resultados dos estudantes de 15 anos, a Matemática e Ciências, que colocaria os Estados Unidos (que, em termos de performance dos alunos desta idade, não se tem afastado de Portugal) ao nível da Polónia. No ranking internacional das competências dos alunos, a Polónia está, como se verá à frente, bem acima quer de Portugal, quer dos Estados Unidos.
Um dos gráficos mostra mais: o impacto de afastar entre 6% e 10% dos professores “menos eficazes” colocaria o país deste investigador do Instituto Hoover, na Universidade de Stanford, ao nível da Finlândia, um dos que têm melhores resultados educativos do mundo (só atrás da Coreia do Sul, Hong Kong, Singapura e Xangai).
E em Portugal, também seria assim como mostram os gráficos? Eric Hanushek sorri quando se lhe pergunta, no final da sessão na Gulbenkian. “Também em Portugal os professores são muito diferentes uns dos outros”, responde. Mas as contas apresentadas, diz, são apenas um “incentivo” para que se pense se não faria sentido saber, tal como nos Estados Unidos, na Inglaterra e noutros países, qual a composição do corpo docente, tendo "no pensamento" esta questão do impacto nos alunos.
E quais seriam os efeitos económicos da melhoria dos resultados dos alunos?
Mais exames
O norte-americano vale-se uma vez mais dos testes PISA (o estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que regularmente avalia os conhecimentos e competências dos jovens de 15 anos, nomeadamente a Matemática e Ciências, e compara cerca de 60 países e regiões). Se Portugal conseguisse que os seus alunos atingissem, nos próximos 15 anos, mais 25 pontos, em média, nesses testes do que nas últimas duas avaliações internacionais, feitas em 2009 e 2012, aproximando-se assim dos resultados da Polónia, isso reflectir-se-ia numa “taxa de crescimento [do PIB] 0,5% mais alta a cada ano". E "0,5% é muito, a longo prazo”, diz o norte-americano.

Os trabalhos daquele que é considerado “um grande especialista em análise de desenvolvimento económico de questões educativas”, como o apresenta a Gulbenkian no programa da sua Conferência Internacional sobre Educação de 2015, que teve lugar nesta segunda-feira, têm sido bastante debatidos nos últimos anos, em vários países.
Eric Hanushek considera que a qualidade e eficácia dos professores deve ser avaliada através da análise da progressão do desempenho escolar dos seus estudantes e pelo “valor acrescentado” que introduzem.
Tem ainda defendido que a qualidade de quem ensina é mais importante do que o tamanho das turmas, por exemplo — na verdade, sustenta, se se reduzir o tamanho das turmas isso terá pouco impacto.
Para isso, na visão de Hanushek, é preciso, desde logo, ter sistemas educativos onde os alunos sejam avaliados com exames centralizados — para que se tenha noção do que sabem “à entrada de um ciclo de ensino e, depois, à saída do ciclo de ensino” — de forma a medir a eficácia dos professores. Sugestão para Portugal: “Manter e até aumentar o sistema de exames.”
Na Gulbenkian, sublinhou ainda a importância de valorizar os directores de escola, dando-lhes margem para escolher o corpo docente. “Se o salário dos directores não tiver a ver com o desempenho dos alunos eles não têm que se preocupar com a escolha dos professores. No México até se pode comprar o cargo de professor.”

Então e os outros factores que supostamente também influenciam a qualidade da educação — a precaridade laboral dos docentes ou a forma como são pagos, por exemplo? Foi a pergunta de uma das participantes na conferência. Resposta: “Se aumentarem os salários dos professores em Portugal vão ter 120 mil pessoas [número aproximado de docentes no ensino não superior público] a sorrir, mas os que não são eficazes vão continuar a dar aulas.”

Clarificar é preciso...também por cá

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sábado, 24 de outubro de 2015

Por que é que isto é notícia?!

Ato de bondade transforma jovem estudante em herói


"um problema de iniquidade" vs "cultura de rigor e de excelência"

Foto tirada daqui
Entre 2011 e 2014, a retenção e desistência no 1.º e 2.º ciclos do ensino básico subiram mais de 50%. As associações de Português e Matemática culpam a cultura de "competição" criada pela introdução de provas e metas por Nuno Crato. Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação de 2005 a 2009, acusa os atuais sucessores de terem deitado "por água abaixo" os progressos atingidos. O Ministério destaca a quebra dos chumbos nos anos terminais de ciclo e diz querer que os alunos "passem sabendo".

Considerada "um problema de iniquidade" no país pelo Conselho Nacional de Educação, no recente relatório "O Estado da Educação 2014", a retenção do 1.º e 2.º ciclo teve em 2014 o pior registo numa década, desde 2004. De 2010/11 a 2013/14, os chumbos no 1.º ciclo passaram de 3,3% do total de alunos para 5% (aumento de 51,5%; no 2.º ciclo, de 7,4% para 11,4% (subida de 54%); e no 3.º ciclo dos 13,3% para os 15,1% (mais 13,5%).

Três anos letivos que coincidiram com a intervenção externa pela troica (FMI, BCE e Comissão Europeia). Mas onde o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, introduziu também várias medidas, assentes na ideia de "cultura de rigor e de excelência" que defende: provas finais no 4.º e 6.º ano de escolaridade, novas metas de aprendizagem e novos programas.


Fonte: DN

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

La lotería genética es el único juego de azar en el que todo el mundo pierde. (Anónimo)

Escolaridade dos pais ainda é determinante no percurso dos filhos

Estudo acompanhou jovens nascidos na década de 1990 e entrevistou-os em vários momentos. Percurso escolar ainda é muito influenciado pelos anos de escolaridade que os próprios pais conseguiram e pelo rendimento das famílias.
Foto tirada daqui
É jovem, tem 21 anos e 15 ou mais anos de escolaridade. Quem serão os seus pais? A pergunta, aparentemente, pode não fazer sentido. Mas a resposta mais comum, encontrada por um estudo que será apresentado nesta sexta-feira, ainda aponta para que este rapaz ou rapariga seja filho de um casal com um nível de escolaridade idêntico. Caso os pais tenham menos habilitações, então o mais provável é que este jovem tenha conseguido contrariar esse determinante social com mais leitura, estudo e desporto durante a adolescência. É também mais verosímil que seja uma rapariga.
(...)
A investigadora dá como exemplo que os jovens que aos 13 anos tinham hábitos de leitura, de estudo e de desporto chegaram mais longe nos estudos, independentemente do percurso dos pais. “É como se o esforço da leitura, do estudo e do desporto acabasse por poder compensar o nível de educação”, afirma. Paradoxalmente, estes adolescentes viam tanta televisão e jogavam tanto computador como os que obtiveram piores resultados.
(...)

THE BLOG TEACHER - Um verdadeiro mestre!


Plickers é daqueles serviços que se pode enquadrar nos serviços de avaliação formativa, sistemas de resposta, isto porque permite recolher na hora informação/opinião da nossa audiência. Até aqui nada de novo, até porque existem imensos serviços deste género na web...

O interessante do Plickers é que a recolha da opinião é feita através de papéis que são lidos com o nosso tablet ou smartphone e os alunos não necessitam de ter nenhum instrumento digital!

Ou seja, aos alunos damos somente um papel que contempla quatro possibilidades de resposta(A,B,C,D) lançamos a pergunta e cada aluno mostra o seu papel com a sua escolha/resposta.



O professor com o seu tablet/smartphone, faz um scan de todas as respostas. No tablet o professor vai vendo as respostas dos alunos e ao mesmo tempo no projetor é mostrado quem já respondeu. A diferença é que no tablet visualizamos as respostas que cada aluno deu




e no projetor vemos quem já respondeu mas não se vê a resposta que cada um dos alunos deu.


 aplicação funciona muito bem e é rápida a recolher a informação, o scan é feito de longe não sendo necessário aproximar muito. O ideal é ter sempre o periférico(Tablet/Smartphone) que vai fazer a leitura sempre na vertical


A aplicação web contempla a criação e edição de turmas: é aqui que se faz a atribuição do cartão ao aluno; uma livraria de questões que vamos criando e que nos permite atribuir às turmas criadas, os relatórios de todas as questões que colocamos e claro, os cartões para imprimir.

Funciona em Android e IOS.

Achei o serviço extraordinário mas os alunos ainda gostaram mais dele. Admito que foi talvez o serviço que mais apreciei este ano!

Todas as fotos foram retiradas do site plickers.com

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.(Jean-Paul Sartre)

Suspeito do ataque usava uma máscara e foi baleado pela polícia. Um adulto e quatro menores ficaram feridos numa escola da Suécia, depois de serem atacados por um homem mascarado empunhando uma espada. 
A confirmação foi dada pela polícia em comunicado. O suspeito do ataque foi baleado, acrescentaram as autoridades, sem dar qualquer detalhe da sua condição.A agressão aconteceu numa escola de Trollhattan, uma cidade que tem cerca de 50 mil habitantes e fica a norte de Gotemburgo. 
Segundo a agência Reuters, a polícia respondeu a uma chamada de emergência que alertou para a presença do homem na escola, e que reportava já que uma pessoa tinha sido atacada nas instalações. Pouco depois, o suspeito foi baleado.

5 - DESAFIOS - 5

Os cinco grandes desafios, segundo o Conselho Nacional de Educação


1.   Fazer baixar as taxas de retenção e desistência escolar;
2.   Responder aos efeitos da queda da natalidade;
3.   O rejuvenescimento da classe docente;
4.   A definição de currículos em contexto de mudança social e cultural;
5.     Ajustar as qualificações à estratégia de desenvolvimento do país.
Saiba mais aqui

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Desse mal nos queixamos nós


A notícia é recorrente: há falta de psicólogos em várias estruturas do sistema público. “Faltam 1600 psicólogos no SNS”, titulava o Expresso, na sua edição de 10 de outubro. E o artigo divulgava a denúncia da Ordem dos Psicólogos sobre a falta de cerca de 1600 psicólogos nos cuidados de saúde primários e nos hospitais. Parece que as informações oficiais nos relatam que existe um psicólogo por cada agrupamento de centros de saúde, mas isso só demonstra a escassez de recursos.

Sabemos que em Psiquiatria existe uma dificuldade de acesso aos serviços. Dos muitos doentes que necessitariam de cuidados psiquiátricos, só uma pequena parte recebe o tratamento adequado. Muitas pessoas permanecem sem apoio na comunidade, outras são encaminhadas para o médico de família e eventualmente para um psicólogo, mas, com a complexidade das perturbações mentais e perante a falta de articulação de serviços, é inquestionável que muitas não recebem a intervenção terapêutica necessária.

Alguns psicólogos dos centros de saúde beneficiariam de maior apoio dos serviços de Psiquiatria. Sem nunca esquecer a necessária autonomia daqueles técnicos, existem muitas perturbações mentais nos cuidados primários a precisar de consulta de psiquiatria, para além do atendimento em Psicologia. Falta de psicólogos e dificuldades de acesso ao psiquiatra conduzem assim a uma grave carência de tratamento das perturbações mentais.

A Ordem dos Psicólogos propôs há dois anos o denominado “cheque-psicólogo”, à semelhança do que já existe em medicina dentária. Segundo o Expresso, os cheques, no valor unitário de 40 euros, seriam emitidos pelo médico de família e destinavam-se aos utentes sem acesso a consultas de psicologia no sistema público. Esta medida provisória teria como objectivo levar mais pessoas a tratamentos de Psicologia e por isso seria positiva a sua concretização, mas tal não aconteceu. No entanto, não basta marcar mais consultas de Psicologia, com ou sem cheque. Os tratamentos de psicoterapia, a realizar por psicólogos, têm indicações precisas, determinadas pelo diagnóstico e pelas características de personalidade de cada utente, não devendo ser prescritos apenas de maneira burocrática.


Se no sistema de saúde a situação é má, no sistema escolar é ainda pior. Muitas escolas não têm psicólogo e noutras o técnico tem de dividir a sua actividade por vários estabelecimentos de ensino, o que o leva a correr de um lado para o outro, sem conseguir ter uma acção sustentada em lado nenhum. Tenho defendido a existência, em cada escola, de um responsável pelo aconselhamento e orientação dos alunos, em ligação directa com os professores e com a direcção da escola. Teria uma função semelhante à do counselor, no modelo escolar anglo-saxónico, papel que o psicólogo escolar desempenharia com especial competência: um assunto adiado para o próximo governo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

PASSE A PUBLICIDADE

Opções sem Glúten na McDonald’s

Em parceria com a Associação Portuguesa de Celíacos (APC), e no sentido de corresponder às necessidades dos nossos consumidores intolerantes ao glúten, temos já disponível nos nossos restaurantes um "Menu" sem glúten.
Este "menu" é constituído por seis hambúrgueres de carne de vaca com pão sem glúten: Big Mac, Double Cheeseburger, McRoyal Deluxe, McRoyal Cheese, Cheeseburger e Hamburger, acompanhamento (batatas fritas, sopa, salada mista ou palitos de cenoura), saladas (Havaiana e Portuguesa) - disponíveis apenas nos restaurantes de Portugal Continental -, bebidas (águas, refrigerantes, sumos, Smoothies ou Frappés) e adicionar uma sobremesa à escolha. O preço deste 'menu sem glúten' é igual ao do menu original, bastando informar, previamente, o colaborador no momento do pedido no balcão ou no drive ou selecionar a tecla "Isento de Glúten" nos quiosques eletrónicos presentes nos restaurantes.
A nova receita de pão isenta de glúten não contém ovo e é feita de farinha de arroz e milho, contendo vestígios de soja e tremoço.
Para a introdução de pão sem glúten foi implementado um novo procedimento nos restaurantes: o pão sem glúten vem embalado individualmente do fornecedor e é aquecido numas bolsas individuais de teflon, evitando assim o contacto direto com as tostadeiras e, consequentemente, qualquer contaminação cruzada. Para além disso, os colaboradores têm de usar, ao longo de todo o processo de manipulação destes produtos, uma luva própria e descartável. Pode conhecer o processo em detalhe, neste vídeo.
Além das sanduíches com pão sem glúten, existem ainda outras opções isentas de glúten na nossa ementa, como é o caso da salada mista, batatas ou cenouras,  entre outras, que pode conhecer aqui:
·         Portugal Continental
·         Ilhas
Para mais informações sobre a composição dos nossos produtos, consulte a nossa tabela de alergéniosou de informação nutricional.

Se pretender mais informação sobre a intolerância ao glúten, consulte, por favor, a Associação Portuguesa de Celíacos (APC): 


sábado, 17 de outubro de 2015

Se não se tem um bom pai, é preciso arranjar um.(Friedrich Nietzsche)

Pai faz tatuagem de aparelho auditivo na cabeça para ficar igual à filha surda

 O pai neozelandês Alistair Campbell fez uma tatuagem na cabeça igual ao aparelho de audição utilizado pela filha Charlotte, de 6 anos. A ideia era fazer uma homenagem à garota antes de ela se submeter à cirurgia para receber seu segundo implante coclear. Charlotte era surda até receber seu primeiro implante, no ouvido esquerdo, quando tinha 4 anos. Mais recentemente, ela recebeu o segundo implante, no ouvido direito. A ideia do pai foi demonstrar o seu apoio à filha. 
Saiba mais aqui

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Evidentemente as máquinas parecem ter sido inventadas para nos poupar de fadigas, mas todos os trabalhadores trabalham muito mais desde que se servem delas.(Jean Paulhan)

Utilização de Robôs de Apoio para promover a Educação Inclusiva

Na próxima 6ª feira, dia 16 de outubro de 2015, na Escola Superior de Educação de Lisboa, pelas 17.45, realizar-se-á uma sessão pública de apresentação dos resultados do Projeto UARPIE - Utilização de Robôs de Apoio para promover a Educação Inclusiva.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A criatividade é um tipo de processo de aprendizagem em que o professor e o aluno se encontram no mesmo indivíduo. (Arthur Koestler)


Foto tirada daqui
O professor tem de ser inovador, criativo, tem de captar a atenção dos alunos, tem de despertar o seu interesse, de os surpreender, tem de usar métodos diversos e activos, o ambiente de sala de aula tem de ser agradável, lúdico, divertido... o ensino tem de ser, enfim, muito real, concreto, significativo...

Esta "conversata" está espalhadíssima, marcando pontos no ensino das ciências.

Nos últimos anos essa "conversata" tem sido insistemente usada para justificar as novas tecnologias da informação e da comunicação na escola, mas parece que elas não bastam para cativar os cada vez mais exigentes alunos. É, portanto, preciso puxar pela imaginação: foi o que fez a professora de biologia que consta na imagem. Em pé em cima de uma mesa, tirou a roupa comum e ficou (talvez em aulas diferentes) com dois fatos de licra: um tinha os músculos desenhados, outro tinha o esqueleto.

E, lá explicou, em várias turmas, a anatomia humana com apoio, naturalmente, de um quadro interactivo, dispensando essa coisa do passado que se chama papel, onde os alunos costumavam escrever...

Mais: a aula foi gravada (por quem!? para quê!?) e disponibilizada no facebook (com que intenção!?), onde, ao que li, é muito elogiada. Nem seria de esperar outra coisa...

Poderá o leitor ter acesso à notícia, por exemplo, 
aqui.
Veja o vídeo aqui

EXPERIÊNCIA

Uma ferramenta interessante. Use-a

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A educação e o ensino são as mais poderosas armas que podes usar para mudar o mundo. (Nelson Mandela)

Que fazer na escola?


Na recente campanha eleitoral pouco se falou da escola. Enquanto aguardamos o novo governo, é importante que nos detenhamos sobre o que se passa no quotidiano do nosso ensino básico e secundário.

Nas creches e sobretudo nos jardins-de-infância, é visível a escassez de estabelecimentos da rede pública. Muitos pais são assim forçados a sacrifícios para colocarem os filhos no ensino pré-escolar privado, já que ambos os progenitores trabalham. As crianças passam muitas horas na escola, sendo pouco estimulado o recurso à observação, à pesquisa individual e em grupo, ao desporto e às artes.

No 1.º ciclo a situação agrava-se. O Governo ainda em funções impôs metas de aprendizagem muito rígidas, sem ter em conta o contexto escolar, o desenvolvimento das crianças e, sobretudo, as dificuldades de aprendizagem que muitas evidenciam. Ao impor o número de palavras que devem ser lidas num determinado tempo, estamos a condicionar professores e alunos a um ritmo que não está ao alcance de todos, sem que haja uma resposta adequada junto daqueles considerados mais “lentos”. Por outro lado, o trabalho junto dos pais é muito escasso, quer por indisponibilidade dos progenitores, quer por falta de preparação dos educadores de infância nos problemas das famílias de hoje.

No 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, a situação é preocupante. A indisciplina é quase sempre a regra e a escola não sabe lidar com alunos instáveis. Grande parte do tempo lectivo é gasta em admoestações por parte dos docentes, com os alunos cada vez mais indiferentes aos castigos tradicionais (faltas e suspensões). O ensino artístico e o desporto são pouco valorizados, ou por falta de recursos ou porque se entende que não é fundamental para os mais novos. Como há muito está demonstrado noutros países, o desporto escolar, a música e o teatro desempenham um papel fundamental no progresso de alunos com dificuldades. Aqui não: a nossa escola contenta-se com algumas aulas de música dispersas e não valorizadas no currículo, somadas a uns jogos nas aulas de Educação Física, disciplina que no secundário nem conta para a avaliação final.

Não se entende como o desporto, tão valorizado pela maioria dos jovens, ocupa um lugar tão modesto no quotidiano das nossas escolas. Não parece difícil melhorar, estabelecer protocolos com clubes desportivos, abrir a escola a atletas de várias modalidades que possam servir de referência desportiva, estimular alunos de insucesso a verem valorizado o seu bom desempenho desportivo. Não se compreende como tantos talentos para o teatro, a dança e a música, tão visíveis em adolescentes, possam ser desperdiçados por falta de estímulo no estabelecimento de ensino de origem, ou por escassez de apoio para o ensino articulado.

No secundário, a indisciplina permanente por vezes é disfarçada pelo desempenho de alguns bons alunos, no seu esforço para garantir boas classificações. A seu lado estão alunos desatentos e sonolentos, com pouca motivação para aprender e que, na escola, só gostam do intervalo e dos amigos.

No secundário existem muitos problemas de saúde mental, mas a escola não lhes sabe dar resposta, nem a maioria dos serviços públicos de saúde está preparada para uma intervenção específica. Ao diminuir o espaço de reflexão extracurricular e ao não valorizar a preparação dos professores em Educação para a Saúde, o Ministério da Educação só contribuiu para o adensar do problema.

Precisamos mudar.


Daniel Sampaio

Fonte: Público

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O caminho com menos obstáculos é o caminho do perdedor.(H.G. Wells)



1 — A oferta formativa de cursos vocacionais de nível Básico destina -se a alunos com pelo menos 13 anos de idade completados até 31 de dezembro do ano escolar em que iniciam o curso, que apresentem pelo menos uma retenção no seu percurso escolar ou que se encontrem já identificados como estando em risco imediato de abandono escolar e que pretendam reorientar o seu percurso escolar para uma oferta educativa de caráter mais prático.
2 — A oferta formativa de cursos vocacionais de nível Secundário destina -se a alunos com pelo menos 16 anos de idade completados até 31 de dezembro do ano escolar em que iniciam o curso e que concluíram o 3.º ciclo do Ensino Básico ou equivalente, ou que, tendo frequentado o Ensino
Secundário, pretendam reorientar o seu percurso escolar para uma oferta educativa mais técnica, designadamente aqueles que se encontrem em risco de abandono escolar ou que se encontrem em situação de insucesso escolar.
3 — O ingresso nos cursos vocacionais deve ser precedido de um processo de orientação vocacional realizado pelo psicólogo escolar, de acordo com o n.º 1 do artigo 14.º, que fundamente ser esta via adequada às necessidades de formação do aluno, correspondente aos seus interesses vocacionais e, no caso daqueles com necessidades educativas especiais, ajustada ao seu perfil de funcionalidade.
4 — O ingresso nos cursos vocacionais carece de autorização prévia do encarregado de educação sempre que o aluno tiver menos de 18 anos de idade.
5 — No ingresso nos cursos vocacionais de nível Básico ou de nível Secundário deverão ser acautelados os requisitos referidos nos números anteriores, garantindo que em caso algum os alunos poderão terminar o respetivo ciclo antes da idade prevista para a conclusão do mesmo, caso
tivessem realizado o seu percurso escolar sem qualquer retenção.
6 — No caso de alunos oriundos de cursos vocacionais de 3.º ciclo do ensino Básico que não tenham obtido os requisitos do n.º 1 do artigo 26.º e que não completem os 16 anos até 31 de dezembro do ano escolar em que iniciam o curso, devem as escolas estabelecer internamente planos que permitam a estes alunos completar os módulos em falta cumprindo toda a carga letiva correspondente ao ano
letivo que falta completar.

7 — No Ensino Básico, o conselho de turma deve promover junto dos alunos a realização das provas finais nacionais de ciclo nas disciplinas de Português e de Matemática tendo em vista garantir a todos os alunos mais opções de escolha para o seu percurso educativo, não condicionando, desta forma, essas opções.